Autópsia | Jornal OSollo


Fiz uma perícia trabalhista no Departamento de Polícia Técnica de Feira de Santana, há alguns anos, para verificar a insalubridade de um auxiliar de necrópsia. Quando cheguei, havia um cadáver sobre a mesa de inox, deitado de costas, despido, a pele de um tom cinzento-azulado. Os ossos do pescoço projetavam-se para fora no ponto onde haviam sido quebrados, e a cabeça estava totalmente virada para trás. Reprimi a náusea.
Na geladeira, fui informado de que havia mais doze cadáveres a serem examinados. Pensei: aqui é outro mundo. Na legislação, já está tipificado o direito ao adicional de insalubridade, mas a empresa terceirizada à qual o reclamante tinha vínculo não pagava, tornando necessária a perícia.
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Fonte: Jornal OSollo




