Músicos baianos denunciam calotes do Governo do Estado em cachês de shows

Diversos músicos da Bahia denunciam atrasos no pagamento de cachês referentes a apresentações contratadas pelo Governo do Estado, por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur). A autarquia herdou as pendências financeiras da extinta Bahiatursa, e artistas afirmam que aguardam há anos o repasse de valores devidos.
Nesta semana, o cantor Genàrd Melo tornou pública a sua indignação ao usar as redes sociais para cobrar os pagamentos. Segundo ele, o governo estadual lhe deve cerca de R$ 200 mil, referentes a seis apresentações realizadas em Salvador e no interior, incluindo o São João de 2024, no Pelourinho, além de shows de 2018 e 2019 que também não foram quitados.
A denúncia gerou grande repercussão, com outros músicos relatando situação semelhante. Genàrd contou que chegou a contrair uma dívida de R$ 50 mil para bancar os custos das apresentações e, sem receber, precisou vender comida em aplicativos de entrega para sobreviver. “Nós acreditamos que é possível prosperar com a música, mas situações como essas são horríveis. Entrei em depressão e quase desisti do sonho de viver da arte”, desabafou.
O forrozeiro Valney José, do Vale do Jiquiriçá, também alega ter sido vítima de calote. Ele afirma que não recebeu o cachê de R$ 8 mil por um show realizado no Parque de Exposições, durante o São João do ano passado, acumulando ainda uma dívida de R$ 5 mil com transporte e músicos.
De acordo com o advogado Paulo Aguiar, que representa artistas em ações judiciais, a dificuldade no pagamento é um problema recorrente desde a gestão da Bahiatursa. Segundo ele, há temor de represálias entre os músicos que denunciam, já que poderiam deixar de ser contratados em futuros eventos.
A reportagem procurou a Sufotur para comentar as denúncias. O órgão passou por uma troca de comando nesta semana e, até a noite de quarta-feira (10), não havia se manifestado. O espaço segue aberto para posicionamento.
Além dos atrasos, músicos também denunciam favorecimento de determinadas bandas e até a exigência de emissão de notas fiscais falsas para viabilizar contratações. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) já apontou irregularidades em gestões anteriores da Bahiatursa, desaprovando suas contas nos anos de 2019, 2022, 2023 e 2024.
Por: correio24horas
Fonte: Medeiros Dia Dia




