Uber | Jornal OSollo


Andei de Uber em São Paulo e conversei com vários motoristas. Um deles, chamado Tomás, tinha um metro e cinquenta de altura e o aspecto repelente e maduro de um anão saído de uma tela de pintura. Faltavam-lhe vários dentes. Ele disse que é de direita e que tem ódio da esquerda.
Depois veio o David, um moço anarquista que usava uma linguagem tão profunda e inconcebivelmente obscena que, metade do tempo, eu não conseguia acreditar no que meus ouvidos escutavam. Enquanto estive com David, modifiquei toda a minha concepção de irreverência e blasfêmia. Era corajoso da cabeça aos pés e, para falar a verdade, tinha apenas um defeito como motorista: não sabia conduzir o carro. Era como um cavalo que só tivesse dois andamentos: a passo lento ou a galope rasgado, em velocidade excessiva.
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Fonte: Jornal OSollo




