Menino | Jornal OSollo


Quando eu era menino e morava em Porto Seguro, tinha um companheiro chamado Gilvan. Gostava muito dele; era meu amigo de verdade. Filho do sapateiro, morava em frente à nossa casa em Porto Seguro.
Volta e meia ele me procurava para irmos brincar. Entrava sem cerimônia pela porta da cozinha — ele era quase sempre descalço, a boca toda amarela de manga que vivia chupando. Seu rosto era magro como o de um esqueleto.
Ele era, junto com meu pai, minha cultura e meu livro de regras para avançar na pista de obstáculos chamada vida. Bons momentos vivemos, jogando bola e brincando de amarelinha. Não devemos ter medo da felicidade; ela é apenas um bom momento a ser vivido.
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Fonte: Jornal OSollo




