Finitude | Jornal OSollo


Umas semanas atrás soube da morte de Preta Gil, após uma longa luta contra o câncer. As cartas do baralho do Senhor não são fáceis de ler. Ela sentia no corpo a doença que não deu trégua. O que é estranho é que, aos poucos, ela foi perdendo sua identificação íntima com o aqui e o agora, sentindo-se transpondo para o infinito, mais ou menos solitária. Como uma lâmpada fluorescente piscando, ora, sim, ora não, ganhando e perdendo a consciência. Com efeito, há vidas que só têm prólogo; ela viveu no grande livro da vida com muitas folhas em branco. O doce e o amargo chegaram de fora, e o mais difícil é a hora de aceitar este amargo do viver.
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Fonte: Jornal OSollo




