Novo Testamento | Jornal OSollo


Já li a Bíblia, e a parte que mais me encanta é o Novo Testamento. Quando tomamos as palavras dele, não como mandamentos, mas como expressão de uma sabedoria extraordinariamente profunda a respeito dos segredos da nossa alma, então a palavra mais sábia que jamais foi pronunciada — a síntese da arte de viver e de ser feliz — é o preceito: “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Podemos amar o próximo menos do que a nós mesmos, e, nesse caso, cada um de nós será um egoísta, um aproveitador, um capitalista, um burguês; poderemos amontoar dinheiro, mas não teremos o coração feliz, e as mais finas e saborosas alegrias da alma nos estarão interditas.
Ou podemos amar o próximo mais do que a nós mesmos, e, nessa hipótese, não passaremos de pobres-diabos, cheios de complexos de inferioridade, cheios de ânsia de amar a tudo, mas também repletos de ódio e amargura contra nós mesmos — e viveremos num inferno cujo fogo estamos sempre a atiçar. Ao contrário, o amor equilibrado — o poder amar sem nos sentirmos de modo algum culpados, este amor a nós mesmos que ninguém nos pode roubar, este amor aos outros sem restrição nem violência ao nosso próprio ego — o segredo de toda a felicidade reside nessa palavra: “Amai o próximo, porque ele é vós mesmo!.”
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Fonte: Jornal OSollo




