Infância | Jornal OSollo


Foi um pouco antes do meu aniversário de dezesseis anos que comecei a ter vislumbres do que as pessoas chamam de “vida real”. Época em que o pai não reconhece o crescimento dos filhos, e os filhos não aceitam o domínio do pai, a incapacidade de fazer a transição de um tempo de inocência e felicidade, quando o pai é protetor e herói, para um tempo de conflito e afastamento, quando o filho faz escolhas e a expressão do amor já não se resolve com pegá-lo ao colo ou vê-lo dormir no berço. A inocência em mim apareceu com a infância, diminuiu com a juventude e acabou com estes anos maduros. Há uma sensação de temporalidade a respeito de todas as fases da vida. Não idealizo minha infância e, diferentemente de muitas pessoas, não desejo mais ser jovem.
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Fonte: Jornal OSollo




