Calixcoca: UFMG avança no desenvolvimento de vacina contra dependência de cocaína e crack

Pauta73, 15 de agosto de 2025 – Thalmo Almeida
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) avançam na pesquisa da Calixcoca, vacina experimental destinada ao tratamento da dependência de cocaína e crack. A tecnologia, inédita no mundo, bloqueia a ação da droga no cérebro, impedindo que seus efeitos psicoativos se manifestem.
O imunizante utiliza uma molécula sintética denominada V4N2, baseada no composto químico calixareno, que estimula o organismo a produzir anticorpos capazes de se ligar à cocaína presente no sangue. Ao formar esse complexo, a substância torna-se volumosa demais para atravessar a barreira hematoencefálica, eliminando a possibilidade de euforia ou prazer associados ao consumo.
A iniciativa surgiu em 2015, motivada por casos de gestantes dependentes atendidas no ambulatório de saúde mental da universidade. Segundo o coordenador da pesquisa, professor Frederico Garcia, a vacina tem potencial para uso tanto em adultos quanto em gestantes, com resultados promissores em testes pré-clínicos realizados em roedores. Em fêmeas prenhes, observou-se redução de abortos e aumento no peso e sobrevivência das crias.
O projeto já recebeu reconhecimento internacional, incluindo o Prêmio Euro de Inovação em Saúde, que destinou 500 mil euros para continuidade dos estudos. Além disso, o Governo de Minas Gerais liberou R$ 10 milhões para a produção de lotes compatíveis com exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Recursos adicionais foram aportados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e por emendas parlamentares.
Atualmente, a pesquisa encontra-se na fase final de testes pré-clínicos. A previsão é iniciar ensaios clínicos de Fase I, destinados a avaliar a segurança e a resposta imunológica em humanos, após a devida aprovação da Anvisa. Caso os resultados sejam positivos, a estimativa é que a Calixcoca possa estar disponível para uso em um período de três a quatro anos.
Se confirmada sua eficácia, a vacina será a primeira desenvolvida na América Latina contra a dependência de drogas ilícitas, oferecendo um recurso inovador para um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo




