Câncer | Jornal OSollo


Em algum momento, enquanto se escovam os dentes ou se calça um sapato, inicia-se, no útero, uma mutação inscrutável ao mundo exterior: uma célula que não cumpriu o protocolo para o qual fora programada e, em vez de dividir-se em novas células, começa a crescer, resistente ao ataque do sistema imunológico, lançando as fundações do desastre — o primeiro tumor.
É difícil precisar e saber em que instante um erro microscópico deu início a um paradoxo: para que o câncer possa florescer e propagar-se, precisa matar seu hospedeiro — e morrer com ele. A falha na reprodução de uma sequência de quatro letras do DNA foi, então, conquistando um território milimétrico na parede do útero: primeiro uma displasia celular, depois um tumor, desencadeando os primeiros sintomas. Revela-se, ali, a fragilidade do que somos.
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Fonte: Jornal OSollo




