Viagem de Avião | Jornal OSollo


Na sala de embarque, aguardamos o voo, atentos ao portão, sabendo que, em uma viagem para a Europa, o Airbus em que iremos voar acaba de cruzar mais de mil quilômetros sobre o Atlântico. Em breve, novos viajantes, dos quais fazemos parte, percorrerão, no mesmo aparelho, a rota contrária sobre a vastidão do oceano. Lá fora, na pista, os carros com reboques transportam dezenas de malas — em cada uma delas, um ecossistema de objetos que, se decifrados, nos dariam pistas sobre a multiplicidade dos seus proprietários: camisetas velhas que são também relíquias de férias antigas; livros anotados dos passageiros cujos rostos vejo na sala de embarque, tentando adivinhar neles seus mistérios, julgando-me assim próximo de uma compreensão mais clara — se não mesmo sentimental — do que é esta incumbência duríssima e esplendorosa de estar vivo.
Entro no avião e, quando decolamos, sinto que algo desaparece. Pela janela, vejo a cidade de Salvador, a amplitude se estendendo diante dos olhos. Sinto que a altitude e a velocidade mexem com a minha consciência e liberam dopamina — uma sensação boa.
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Fonte: Jornal OSollo




